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Convivendo com Sintomas

Texto do Dr. Marco Mota

Convivendo com Sintomas Os quase 33 anos de trabalho na medicina têm me ensinado o que os livros não trazem escrito. Podemos chamar isso de experiência, que somada à velhice (risos) nos dá a ousadia de dizer coisas que antes não ousávamos. Hoje prefiro correr o risco de errar com uns poucos, desde que acerte com muitos. Sabemos que medicina não é como matemática (onde 2 + 2 = 4, e às vezes a casa ainda cai). Com isso quero dizer que: prognosticar em medicina é correr riscos desnecessários. Assim, prefiro sempre tranqüilizar o meu paciente, que submetê-lo a estresses cruéis, mesmo quando o diagnóstico não é tão favorável.
Vou aproveitar esse espaço semanal para, ao menos uma vez ao mês, tratar de observações da minha prática clínica diária. Vou começar essa série de informações falando de um tema palpitante (as famosas palpitações): o trabalho do coração é quase sempre silencioso e imperceptível, mas em algumas situações (normais ou patológicas) o paciente percebe que tem coração, e isso o incomoda. Para o médico raciocinar a partir desse tipo de sintoma exige que ele sempre investigue se a queixa é expressão de uma doença que está escondida ou algo passageiro geralmente ligado ao lado emocional. Esse tipo de relato pode acontecer quando o coração bate forte, descontrolado ou rápido. Uma boa investigação permite ao médico distinguir o que está acontecendo. A perturbação do ritmo mais comumente encontrada corresponde à presença das famosas extra-sístoles. De vez em quando a seqüência normal de batimentos é interrompida por um batimento precoce, e o paciente pode perceber essa falha porque existe uma sensação de vácuo (muito comparada à sensação de andar em elevador). Em pessoas jovens quase sempre são benignas e passageiras. O tratamento com medicamentos é pouco recomendado. Em geral acontecem em determinadas situações de estresse, e vão embora quando essas situações são controladas. Ouvir de um médico uma informação desse tipo é meio caminho andado para a cura. Receber uma informação inadequada pode ser o suficiente para o desenvolvimento da chamada síndrome de pânico (mesmo assim, o Ministério da Saúde adverte: em caso da persistência dos sintomas procurar um médico – risos)
Marco Mota / Médico cardiologista / E-mail: mota-gomes@uol.com.br

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